O PARANÁ...
É o Estado com maior número de negros: 28% da população. A diretora do Núcleo de Pesquisa do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDEHA) e diretora do Instituto de Pesquisa do Afrodescendência (IPAD Brasil), Marcilene Garcia de Souza, mais conhecida como Lena - a primeira mulher negra formada em Ciências Sociais na cidade de Curitiba a se tornar doutora em Sociologia - afirma que a ação do Ilê irá quebrar o imaginário construído de um suposto sul branco. "A população negra do sul também contribuiu na formação econômica e social do país, sobretudo, quando esteve numa situação de escravização. A escolha deste tema certamente irá mostrar a importância histórica não somente na economia, mas também na construção cultural", esclarece Lena, que aponta ainda a divulgação de personalidades negras sem visibilidade. "As universidades, a partir disso, poderão aprofundar as pesquisas e os movimentos sociais negros devem fazer o devido registro dos personagens que compõem este cenário e atuam diretamente nessa construção."
É o Estado com maior número de negros: 28% da população. A diretora do Núcleo de Pesquisa do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDEHA) e diretora do Instituto de Pesquisa do Afrodescendência (IPAD Brasil), Marcilene Garcia de Souza, mais conhecida como Lena - a primeira mulher negra formada em Ciências Sociais na cidade de Curitiba a se tornar doutora em Sociologia - afirma que a ação do Ilê irá quebrar o imaginário construído de um suposto sul branco. "A população negra do sul também contribuiu na formação econômica e social do país, sobretudo, quando esteve numa situação de escravização. A escolha deste tema certamente irá mostrar a importância histórica não somente na economia, mas também na construção cultural", esclarece Lena, que aponta ainda a divulgação de personalidades negras sem visibilidade. "As universidades, a partir disso, poderão aprofundar as pesquisas e os movimentos sociais negros devem fazer o devido registro dos personagens que compõem este cenário e atuam diretamente nessa construção."
No Paraná, existe uma presença significativa de quilombos. Com base em um estudo coordenado pelo Grupo Clovis Moura, elaborado pela historiadora e especialista em Educação Patrimonial Clemilda Santiago Neto, são mais de 100 comunidades, sendo 36 já certificadas pela Fundação Palmares. Mesmo com a presença maciça no Estado, o processo de invisibilidade é forte. Para o diretor da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN) e doutor em psicologia, Paulo Vinicius Baptista da Silva, do Núcleo de Estudos Afro-brasileiro (NEAB-UFPR), a invisibilidade desta população ocorre pela orientação das ideias racistas hegemônicas no século 19 e da "ideologia do branqueamento", que motivou a imigração no final do século 19 e início do 20. "Essas teorias pregavam que os negros(as) africanos(as) são sinônimo de incivilidade; europeus(eias) brancos(as) são sinônimo de civilização e desenvolvimento. As histórias dos 2 Estados foram reescritas a partir dessas ideias, ocultando a presença negra. Relaciona-se com estruturação de relações de dominação estabelecidas ao longo dos anos, com as dificuldades de mobilidade social da população negra até os dias atuais", destaca.
| O babalorixá Diba de Iyemonjá entrega a carta da Marcha Contra a Intolerância, no alácio do governo do Rio Grande do Su |
Antonio Mário Ferreira, do MEC |
GRANDES HOMENS E MULHERES
Santa Catarina é o Estado com menor índice da população negra. Dos 6.250.000.00 habitantes, distribuídos nos 293 municípios, a população negra (pretos e pardos), corresponde a 13,9%, somando 868.750 pessoas. O sociólogo doutorando em Arqueologia/ IPT (Portugal), João Carlos Nogueira - que integra o Núcleo de Estudos Africanos, afirma que a contribuição dos negros no Estado não é mais mito. "As pesquisas, já no século 20 e atualmente, confirmam a participação ativa como mão de obra no campo, como meeiros ou pequenos proprietários de terra. Sua participação é indiscutível na formação da indústria pesqueira no litoral, na construção das estradas de ferro no sul e norte do Estado, na indústria metal mecânica, na tecelagem e em serviços. É importante destacar o crescimento da presença de alunos negros nas universidades públicas, via sistema de cotas, e nas privadas, via Prouni. Com isso, espera-se uma maior participação nos setores de serviços (inovação tecnológica, profissionais liberais, autônomos e empreendedores)." Nogueira destaca que também há grandes nomes na literatura e nas artes em geral. "O poeta Crus e Sousa, referência universal no simbolismo; e Luiz Delfino, poeta influenciado pelo romantismo e parnasianismo. No início do século 20, tivemos outros poetas e escritores, como João Rosa Junior, Trajano Margarida e Ildefonso da Silva. As mulheres também se destacaram, tanto na arte como na política: Valda Costa, nascida em Florianópolis, em 1951, produziu em torno de 800 obras entre telas e esculturas. Na política, Antonieta de Barros, educadora, poetisa e jornalista, que nasceu em 1901 e se elegeu deputada com 35.484 votos, em 1935, fazendo parte do processo constituinte do mesmo ano."
Santa Catarina é o Estado com menor índice da população negra. Dos 6.250.000.00 habitantes, distribuídos nos 293 municípios, a população negra (pretos e pardos), corresponde a 13,9%, somando 868.750 pessoas. O sociólogo doutorando em Arqueologia/ IPT (Portugal), João Carlos Nogueira - que integra o Núcleo de Estudos Africanos, afirma que a contribuição dos negros no Estado não é mais mito. "As pesquisas, já no século 20 e atualmente, confirmam a participação ativa como mão de obra no campo, como meeiros ou pequenos proprietários de terra. Sua participação é indiscutível na formação da indústria pesqueira no litoral, na construção das estradas de ferro no sul e norte do Estado, na indústria metal mecânica, na tecelagem e em serviços. É importante destacar o crescimento da presença de alunos negros nas universidades públicas, via sistema de cotas, e nas privadas, via Prouni. Com isso, espera-se uma maior participação nos setores de serviços (inovação tecnológica, profissionais liberais, autônomos e empreendedores)." Nogueira destaca que também há grandes nomes na literatura e nas artes em geral. "O poeta Crus e Sousa, referência universal no simbolismo; e Luiz Delfino, poeta influenciado pelo romantismo e parnasianismo. No início do século 20, tivemos outros poetas e escritores, como João Rosa Junior, Trajano Margarida e Ildefonso da Silva. As mulheres também se destacaram, tanto na arte como na política: Valda Costa, nascida em Florianópolis, em 1951, produziu em torno de 800 obras entre telas e esculturas. Na política, Antonieta de Barros, educadora, poetisa e jornalista, que nasceu em 1901 e se elegeu deputada com 35.484 votos, em 1935, fazendo parte do processo constituinte do mesmo ano."
Para o sociólogo, a proposta do Ile é fundamental não só por quebrar mitos e desmistificar a visão de região europeia, mas, sobretudo, por ajudar o Brasil e a região a se reencontrarem com a sua realidade multicultural, plurietnica e multirracial. "Mesmo por que a região Sul é formada por 20,09% de negros que, em números absolutos, corresponde a quase um terço da população nos três Estados", ressalta.
Para o presidente do Instituto Énrea, o historiador Fabio Garcia, o destaque do Ilê irá contribuir para as reinvindicações das demandas da população negra na região Sul. "Esta ação irá desmitificar a ideia que há uma Europa no sul do Brasil. Isso poderá ter consequências diretas na aplicação de políticas públicas que visam a diminuição das discrepâncias sociais e econômicas entre brancos e negros."
Nenhum comentário:
Postar um comentário