sábado, 30 de abril de 2011

Artes Ticuna

Artes Ticuna

A variedade e riqueza da produção artística dos Ticuna expressam uma inegável capacidade de resistência e afirmação de sua identidade. São as máscaras cerimoniais, os bastões de dança esculpidos, a pintura em entrecascas de árvores, as estatuetas zoomorfas, a cestaria, a cerâmica, a tecelagem, os colares com pequenas figuras esculpidas em tucumã, além da música e das tantas histórias que compõem seu acervo literário.
Um aspecto que merece atenção é o acervo de tintas e corantes. Cerca de quinze espécies de plantas tintórias são empregadas no tingimento de fios para tecer bolsas e redes ou pintar entrecascas, esculturas, cestos, peneiras, instrumentos musicais, remos, cuias e o próprio corpo. Há ainda os pigmentos de origem mineral, que servem para decorar a cerâmica e a “cabeça” de determinadas máscaras cerimoniais.
Ao longo dos quase quatrocentos anos de contato com a sociedade nacional, os Ticuna mantêm uma arte que os singulariza etnicamente, e as transformações constatadas em alguns itens de sua produção material raramente acontecem em detrimento da qualidade estética ou técnica das peças. Em certos casos, ao contrário, as inovações vieram beneficiar a aparência dos artefatos – especialmente aqueles destinados ao comércio artesanal – tornando-os mais vistosos e com melhor acabamento.
ticuna_10
Para os Ticuna, a raiz matü designa todo o tipo de decoração ou “enfeite” aplicado na superfície dos objetos ou do corpo, bem como as manchas, malhas ou desenhos encontrados na pele ou couro de certos animais. Além de ser adotado para nomear os motivos que resultam do cruzamento de fios ou talas ou os desenhos pintados sobre as entrecascas, papel e outros suportes, esse termo é também usado para designar a escrita introduzida com a escolarização.
Como suportes de decoração há, no âmbito do trançado, os cestos com tampa, as peneiras e os tipitis, cuja manufatura cabe às mulheres. Outro conjunto de motivos encontra-se nas redes, tanto nos exemplares fabricados para venda como nos de uso doméstico. São motivos que resultam de uma técnica complexa que exige da tecelã grande conhecimento, experiência e atenção, adquiridos após um longo período de aprendizado.
A tecelagem está intimamente ligada à mulher. A fabricação de fios é uma das primeiras tarefas desenvolvidas pelas meninas e na adolescência a importância dessa atividade ganha uma expressão ritual. Durante o período de reclusão a menina moça, worecü, dedica-se a trabalhos em tucum, especialmente à torção de fios, que são enrolados em forma de “flor”, de modo diferente dos novelos circulares vistos usualmente.
ticuna_11
A confecção da cerâmica é tarefa preferencialmente feminina, mas os homens também costumam exercê-la. Outro suporte que possibilita o prazer de desenhar e colorir são os painéis feitos de entrecasca de certas espécies de Ficus ou tururi, como é denominado regionalmente. O tururi, nome dado a esse tipo de painel, é uma invenção recente e surgiu do reaproveitamento de técnicas e matérias- primas tradicionalmente empregadas na manufatura de máscaras. Os tururis são pintados exclusivamente para fins comerciais. Os especialistas reconhecidos na arte de pintar o tururi são os homens, em sua maioria jovens ou de meia-idade.
O elenco de figuras desenhadas é infinito. Há uma marcada preferência pela representação de animais (onça, jabuti, cobra, borboleta, anta, jacaré e várias espécies de aves e peixes), que em alguns casos vêm combinados com elementos da flora ou com figuras antropomorfas.
Na esfera ritual, os suportes mais representativos da arte gráfica são as máscaras, os escudos, as paredes externas do compartimento de reclusão da moça-nova e o corpo. Na confecção das máscaras, os Ticuna utilizam como matéria-prima básica entrecascas de determinadas árvores e os motivos ornamentais podem estar distribuídos pela vestimenta inteira. Na parte superior ou “cabeça”, a decoração serve para salientar as feições da entidade sobrenatural, mas é nas entrecascas com as quais cobrem o corpo que se observa um maior número de desenhos.
A confecção e o uso das máscaras são de domínio dos homens, que também se encarregam da feitura de grande parte dos objetos rituais, como alguns adereços da worecü, os instrumentos musicais, o recinto de reclusão, os bastões esculpidos etc.
A pintura da face, por sua vez, pode ser realizada por ambos os sexos e é empregada hoje em dia apenas durante os rituais, por todos os participantes, inclusive crianças. Essa pintura, feita com jenipapo, já no primeiro dia da festa, tem a função social de identificar o clã ou nação, como dizem os Ticuna, de cada pessoa. É possível detectar em alguns ornamentos faciais uma certa similaridade com a natureza, ou seja, com os animais e as plantas que dão nome aos clãs. Além da função social de especificação do clã, pintar-se na festa é um ato obrigatório. A decoração corporal das jovens e crianças iniciadas, por sua vez, é realizada segundo normas rigidamente estabelecidas.
ticuna_12
A aptidão e a sensibilidade ticuna para a arte relevam-se agora em novos materiais e formas de expressão plástica e estética, como as pinturas em papel produzidas por um grupo de artistas que formam hoje o Grupo Etüena. Segundo a mitologia ticuna “Etüena é a pintora dos peixes. Ela sentava na beira do rio esperando a piracema passar. Ela então pegava cada peixe e pintava, dando uma cor que ficava para sempre”. Esse grupo nasceu no contexto dos cursos de formação ministrados pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües (OGPTB), em que a arte teve um espaço privilegiado no programa curricular.

FONTE:
Artes > Ticuna | Enciclopédia dos Povos Indígenas no Brasil - ISA, http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ticuna/1349


quinta-feira, 28 de abril de 2011

PÁSCOA Jeová, Oxalá, Jesus, e as outras religiões

Jeová, Oxalá, Jesus, e as outras religiões

Outras formas de celebração da Páscoa

Fran Ribeiro

Semana Santa. Para a religião católica é o momento de se celebrar a Ressurreição de Jesus Cristo. Mas, e as outras religiões, e sobretudo, as não cristãs? Como elas cultuam esse momento importante da história da humanidade? A reportagem doPrimeira Edição foi atrás, e vai mostrar as diferentes formas de celebração da Páscoa nas principais religiões que formam a diversidade religiosa no Brasil.

190 milhões de habitantes

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, mais da metade dos brasileiros, cerca de 73,8%, são devotos da religião católica. Os outros 26,2 %, são evangélicos (protestantes e petencostais), umbandistas, espíritas, do Candomblé e judeus, além de outras religiões. Cada um, a partir de suas especificidades, celebram a Páscoa. A Páscoa que significa a peregrinação de Jesus Cristo, durante 40 dias até a sua morte e ressurreição. Ela tem origem na tradição judaica, muito antes do nascimento de Cristo. Para os Judeus, a cerimônia marca momentos significativos da cultura hebraica.

A Páscoa nas religiões

Católica – para os católicos, a Páscoa é a celebração da vitória da vida sobre a morte. A quaresma representa o momento de reflexão, se os homens poderão ressussitar junto com Cristo. Além desse símbolo espiritual, a religião elege o coelho (que representa a fertilidade), a água e o círio pascal, o fogo novo, como símbolos. Todo início da quaresma a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança a Campanha da Fraternidade, que em 2011 celebra a ‘Fraternidade e a Vida no Planeta’. A campanha tenta mostrar que a natureza também está precisando ressussitar. “Não só nós, humanos que estamos precisando de renovação. A natureza precisa ressussitar”, disse a praticante da religião Elza Ribeiro. “A Páscoa é o símbolo que podemos nos redimir das coisas ruins do mundo. A questão é saber se seremos dignos disso”, concluiu.

Evangélicos ( A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) – para os praticantes dessa religião, o momento é de alegria e de celebração conjunta pelo sacrifício de Jesus para os homens. “É um domingo onde nós nos juntamos aos demais cristãos, lembrando que Jesus Cristo recussitou ao terceiro dia, em um domingo da Páscoa judia, mas não há comemorações especiais”, disse Fernando Nunes, membro da Igreja. Segundo Fernando, é importante lembrar desse momento não só durante a Páscoa, mas durante todos os dias. “É um momento de extrema importância no evangelho cristão, porque é parte do grande sacrifício expiatório que Jesus fez por nós, mas lembramos disso a cada reunião que temos”, declarou.

Igreja Batista Nacional – para eles, o cordeiro é o principal símbolo e representa o corpo de Cristo. A Páscoa representa a saída do povo egípcio do cativeiro e a sua busca pela terra prometida. “Na biblía judaica é um momento novo, de libertação do povo”, disse o pastor da Igreja Batista do município de São Luís do Quitunde, Irmão Barros. A religião também acredita na ressureição no terceiro dia da Paixão de Cristo.

Umbanda e Candomblé – os praticantes dessa religião, apesar de não comemorar essa data em específico, celebram outras do calendário cristão.”Nós não aceitamos a ressurreição como uma verdade, mas respeitamos aqueles que acreditam”, declarou Maria Lúcia, praticante de umbanda. Eles celebram o orixá Oxalá, que representa Jesus. Muitos terreiros fecham durante a Semana Santa e só reabrem no Sábado de Aleluia, quando realizam celebrações espirituais para marcar o dia.

Espiritismo – é comum nessa religião não cultuar os dogmas da igreja cristã, mas existe o respeito pelas manifestações religiosas. Eles crêem que a Páscoa ou Passagem, como é chamada, significa a liberdade dos hebreus escravizados no antigo Egito.

Judeus – conhecida como Pessach, a Páscoa judaica marca o período do Êxodo do povo hebreu da escravidão no Egito. É o momento de libertação e de firmação da identidade desse povo, durante os séculos até os dias de hoje. O início da celebração é marcado no primeiro dia de lua cheia da primavera e dura sete dias.
Para além da celebração, todos os ouvidos pela reportagem acreditam que o respeito por cada especificidade das religiões que compõe a diversidade no país não aceitam a intolerância religiosa, que deixa uma mancha que não compete ao símbolo da época. “A intolerância nos faz mais fracos e torna as pessoas menos humana. A Páscoa é o marco da vida. E a vida é um privilégio de todos", concluiu Maria Lúcia - (fonte: primeiraedição.com.br)

sábado, 9 de abril de 2011

AFRICA DO SUL 1

TV Áfricas
VIAJE AQUI